Venda de veículos cresce e puxa valor da siderurgia na bolsa | Açovisa
 
 
 
 

Venda de veículos cresce e puxa valor da siderurgia na bolsa

A recuperação da demanda por aço deve continuar vindo do setor automotivo. Uma melhor projeção para as vendas de veículos em 2017 ajudou a renovar o ânimo dos investidores ontem e as ações das siderúrgicas – especialmente as fabricantes de aços planos – lideraram os ganhos do Ibovespa, principal índice.

Os papéis preferenciais classe A da Usiminas, maior do segmento de planos, subiram 9,76% no dia, para R$ 8,66, na maior alta do índice. A segunda no ranking da área, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), também observou ganhos em suas ações ordinárias, que avançaram 9,92%, para R$ 10,86. Já os ativos PN da Gerdau, que é mais focada em aços longos, , tiveram valorização de 3,64%, para R$ 11,40.

Segundo dados divulgados ontem pela Federação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Fenabrave), o licenciamento de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus somou 199,2 mil unidades em setembro, avanço de 24,5% ante o mesmo mês do ano passado.

A direção da entidade chegou a refazer os cálculos para o ano. A nova projeção indica crescimento de 9,5% do mercado brasileiro em 2017, até um total de 2,24 milhões de unidades. A projeção anterior era de alta em torno de 4%. O presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, destacou fatores macroeconômicos, como inflação abaixo da meta e redução dos juros, como principais motivos para a revisão.

A sócia da MB Associados, Tereza Fernandez da Silva – que presta consultoria à Fenabrave – acredita que o aumento na média diária de vendas de veículos em setembro indica que o ritmo nas linhas de produção tende a ser forte a partir de outubro.

Na opinião de Celson Plácido, analista da XP Investimentos, a Usiminas está entre as empresas da bolsa que mais se beneficiam da recuperação do mercado de automóveis. “Reforçamos que a queda dos papéis no fim de setembro abriu oportunidade de compra para investidores com perfil de médio e longo prazo”, escreveu, em relatório.

Para a XP, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da siderúrgica pode até dobrar no terceiro trimestre. A apresentação do resultado está programada para o dia 27.

Já há alguns meses a demanda por aço demonstra crescimento, puxada pela maior produção de veículos. A princípio, a maior parte desse avanço automotivo é destinado a exportações, mas o mercado interno agora também sobe.

Segundo o Instituto Aço Brasil, o consumo aparente – índice que reúne vendas internas e importações – de produtos siderúrgicos em agosto ficou em 1,74 milhão de toneladas, 9,6% a mais do que o mesmo mês de 2016. Com isso, nos 12 meses até agosto, o consumo encontra-se em 19 milhões de toneladas – taxa anualizada que representa alta de 3,4% sobre o total apresentado em 2016. Seria o primeiro crescimento desde 2013.

Mesmo assim, as companhias veem essa retomada como ainda muito incipiente. Para se ter uma ideia, um volume de 19 milhões de toneladas representaria apenas 68% do que foi consumido em 2013, pico histórico da demanda por aço no Brasil, de 28 milhões de toneladas. Estudos preliminares da própria entidade indicam que esse patamar mais elevado provavelmente só será batido em 2028.

Enquanto isso, as fabricantes querem evitar perder mercado para produtos importados. Na mesma análise de 12 meses até agosto, 13,3% do consumo foi abocanhado pela importação. Foi a penetração mais elevada desde fevereiro de 2016, quando era de 13,4%. Em termos anualizados, desde o começo do ano o consumo aumentou em 619 mil toneladas. O volume importado cresceu 648 mil toneladas.

 

Fonte: Valor Econômico